Discussão:não há de quê

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"Não há de quê" ou "não tem de quê" - emprego do verbo ter no sentido de existir[editar]

  • O verbo haver pode significar 'ter' ou 'existir'. O inverso, porém, não é verdadeiro, ou seja, o verbo ter, segundo a norma culta, não deve ser usado no sentido de 'existir'.
  • No entanto, sobretudo no Brasil e na África mas também em Portugal, o verbo ter é frequentemente usado, no registro informal, em substituição ao verbo 'haver', nas acepções impessoais de 'estar presente, encontrar-se', 'existir', 'acontecer, realizar-se'. Ex.: tem muita gente no teatro; tem uma cidade aqui perto; hoje vai ter aula. Esse emprego é considerado impróprio. Trata-se de um arcaísmo datável do século XIV, conforme o Dicionário Houaiss (verbete ter, gramática "e").
  • Assim, em vez de "não tem de quê", é preferível usar "não há de quê" (ver também Manual de Redação do Estadão). O sentido de "não há de quê" é igual ao de "não há por que (agradecer)", ou "não há motivo (para agradecer)" (ver também Dicionário Aulete).
  • Finalmente, não custa repetir que o verbo, nesta acepção, é impessoal, ou seja, estará sempre na terceira pessoa do singular - assim como em espanhol (no hay de qué), em italiano (non c'è di che) e em francês (il n'y a pas de quoi). Portanto, a forma "não tens de quê" parece ser imprópria, totalmente equivocada (ou, como os guardiães da WP gostam de dizer, "pura pesquisa inédita").