Discussão:bonde

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Etimologia de bonde[editar]

É necessário incluir no verbete uma explicação sobre a origem do vocábulo em São Paulo. O termo inglês „bond“, em economia e finanças, é traduzível por „obrigação“ e significa um título de crédito que obriga a entidade emissora a pagamento de juros e ao reembolso do capital dentro do prazo previamente estabelecido no mesmo.

O termo „bond“ não se confunde com a locução de uso mercantil „debentured bond“ que significa bónus garantido pelo emitente, de modo que esta locução também pode significar um abatimento no preço da passagem a certos passageiros utentes de um determinado meio de transporte, normalmente ferroviário.

Sempre foi notório e de conhecimento geral entre os paulistanos idosos no Século XX que a empresa concessionária dos serviços de transportes colectivos efectuados por meio de carros eléctricos que se deslocavam sobre carris de ferro e eram dotados de „trolley“ para a ligação dos seus motores ao cabo condutor da corrente eléctrica, então denominada „The São Paulo Tramway, Light and Power Company, Limited" ainda no princípio do Século XX fez a emissão de „bonds“ (obrigações) resgatáveis a longo prazo e quem fosse obrigacionista dos títulos dessa emissão recebia um bónus (debentured bond) que lhe facultava um abatimento no preço da passagem quando se fizesse transportar nos seus carros eléctricos sobre carris de ferro.

Os carros eléctricos da citada empresa traziam um cartaz afixado à esquerda pelo lado de fora mesmo junto do „motorneiro“ (empregado da empresa que, ao freio, guiava o carro eléctrico sobre carris) pintado sobre um fundo cor de laranja, a palavra „bond“ escrita em cor contrastante com letras garrafais anunciando desse modo a emissão das „bonds“ (obrigações).

A maioria dos utentes passageiros „não obrigacionistas” que desconhecia por completo o significado da palavra „bond“ entendeu que aquela palavra inscrita à frente dos veículos significava nada mais e nada menos que o próprio nome do veículo usado como meio de transporte, e assim surgiu em São Paulo a designação genérica „bonde“.--Teuto-brasileiro (Discussão) 22h11min de 25 de setembro de 2020 (UTC)[Responder]

Olá Teuto!
Super interessante essa etimologia, mas, de novo, não cabe no verbete, do mesmo jeito que a etimologia que você queria colocar em sanduíche.
Que tal você criar um apêndice para coletar essas etimologias interessantes? Poderia ser algo como Apêndice:Etimologias diversas ou algum outro título mais apropriado que você possa imaginar. Nela você listaria essas etimologias/histórias separadas por verbetes (cada verbete seria um novo cabeçalho de nível 2). E nos verbetes em questão, na seção de etimologia, você poderia acrescentar um "Vide Apêndice:Etimologias Diversas". Assim essas histórias não se perderiam nas páginas de discussão nem inundariam os verbetes.
Se precisar de ajuda para a criação do apêndice, eu poderia fazer a primeira versão dessa nova página.
O que acha?
--Valdir Jorge  fala!
11h05min de 26 de setembro de 2020 (UTC)[Responder]
Olá, Valdir Jorge! Muito obrigado pela sua resposta. Agradeço a sua sugestão e aceito a sua proposta de ajuda para a criação do apêndice. Entretanto, devo confessar que me confundi por inércia ao basear-me na classificação epónimo utilizada em „sandwich“. A designação genérica „bonde“ como se vê pela sua história não é um epónimo. Por favor, elimine o dito erro quando e onde o encontrar no meu texto. Para repor tudo no devido lugar eu redigi uma nova versão que encontra aqui em anexo com a história e significado da designação genérica „bonde“, a qual pode ser transferida para um possível apêndice ainda a ser criado. Para fundamentar a história da designação genérica „bonde“ com fontes confiáveis é muito difícil para mim, porque já não estou no Brasi há mais de 50 anos, e o seu conhecimento veio até mim ainda no Brasil por tradição oral que às vezes era confirmada por artigos publicados em jornais e revistas desde os anos 1950 até mais ou menos 1966/1967, quando deixou de existir esse meio de transporte colectivo em São Paulo. Cordiais cumprimentos --Teuto-brasileiro (Discussão) 22h18min de 27 de setembro de 2020 (UTC)[Responder]

História e significado da designação genérica „bonde“

O vocábulo inglês „bond“ mediante a forma aportuguesada „bonde“ assumiu por metonímia [1], apenas na variante do português falado no Brasil, o significado genérico que se pode discriminar do seguinte modo: carro eléctrico que se desloca sobre carris de ferro, dotado de roldana de contacto (trólei = trolley) para a ligação dos seus motores ao cabo de corrente eléctrica, o qual se encontra estendido em suspenso mesmo por cima do carro ao longo de todo o caminho dos carris de ferro (tramway).

A palavra „bond“ tem na sua origem inglesa um significado traduzível por „obrigação“ [2], cuja definição se discrimina em português como título de crédito que obriga a entidade emissora a pagamento de juros e ao reembolso do capital dentro do prazo previamente estabelecido.

A forma metonimica „bonde“ como designação genérica para o carro eléctrico nasceu em São Paulo, entre 1912 e 1920, quando a empresa canadiana então denominada „São Paulo Tramway, Light and Power Company” [3] concessionária dos transportes colectivos de passageiros em São Paulo fez a emissão de obrigações („bonds“) resgatáveis a longo prazo para se financiar e assim poder construir e pôr em funcionamento os seus carros elécricos no caminho dos carris de ferro (Tramway de Santo Amaro) [4] entre a estação da Vila Mariana e estação terminal no Socorro (Santo Amaro). Antes disso, em 1900, a sociedade canadiana São Paulo Tramway, Light and Power Company comprou a Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro [5](Tramway de Santo Amaro), a qual fazia um trajecto desde a estação de Vila Mariana até ao centro de Santo Amaro utilizando uma unidade automotora movida a vapor, a qual se deslocava por caminhos sobre carris de ferro com bitola estreita. A denominação popular dessa unidade automotora era „trenzinho“, e desde logo em muitos troços do seu trajecto, o dito „trenzinho“ teve o seu uso substituído pelo carro eléctrico (mais tarde designado bonde) e a linha férrea em grande parte ainda restante do trenzinho foi desactivada e desmantelada.

Quem fosse obrigacionista dos títulos da atrás mencionada emissão recebia um bónus (debentured bond) que facultava ao utente o direito a um abatimento no preço da passagem, quando se fizesse transportar em qualquer carro eléctrico da empresa. Antes de 1912, os carros que se deslocavam sobre carris de ferro em São Paulo faziam as suas viagens somente por meio de tracção animal e a citada concessionária canadiana veio substituí-la por tracção eléctrica. Por causa dessas condições especiais os carros eléctricos dessa concessionária trouxeram durante longo tempo um cartaz afixado à frente do lado de fora do veículo mesmo junto do „motorneiro“ (empregado da empresa que, ao freio, conduzia o carro eléctrico sobre carris) pintado sobre um fundo de cor alaranjada, a palavra em inglês „bond“ escrita com letras garrafais anunciando desse modo a emissão das obrigações („bonds“). A maioria dos passageiros utentes „não obrigacionistas” desconhecia por completo o significado da palavra „bond“ e por isso tomava aquela palavra inglesa inscrita à frente dos veículos como uma designação genérica do próprio veículo usado como meio de transporte, e assim surgiu em São Paulo por metonímia a designação genérica „bonde“.

Olá Teuto!
Está criada a página Apêndice:Etimologias diversas.
--Valdir Jorge  fala!
00h49min de 29 de setembro de 2020 (UTC)[Responder]

Ligações externas - Origem do termo "bonde"[editar]

O artigo posto em “ligações externas” da entrada “bonde” no wikcionário, cujo título original é “Bonde - Tramway - Origem das Palavras” [6], contém no subtítulo “etimologia da palavra bonde” a afirmação de que a palavra “bonde” surgiu em 1879. Esta afirmação não é correcta, pois o nome conhecido até então não era “bonde”, mas sim o plural “bonds”. A palavra no plural “bonds” ficou conhecida da população brasileira em geral, quando o Ministro da Fazenda do Governo Imperial Brasileiro, em finais do ano 1869, para financiar o “deficit” acumulado do orçamento público causado pela “Guerra do Paraguai” decidiu fazer uma emissão de “bonds” (obrigações) com um montante elevadíssimo para assim obter um empréstimo nos meios financeiros internacionais de então. A emissão desse empréstimo internacional era de valor tão elevado que foi muito criticada pela imprensa brasileira. Em 1874, volvidos 5 anos sobre o episódio da emissão de “bonds” pelo governo brasileiro, a Companhia Locomotora que explorava o negócio de transportes colectivos de passageiros em carruagens puxadas por bestas muares, cuja deslocação se fazia sobre carris de ferro inseridos rente ao solo da via pública, fez uma emissão de “bonds” com o objectivo de esmagar a concorrência através de certos investimentos, e assim atingir a sua principal concorrente, a Companhia Ferro Carril. A partir disso, a empresa Companhia Locomotora passou a ser mais conhecida como a empresa dos “bonds” em alusão aos carris de ferro com a bitola estreita, onde se concentrava o investimento feito com os dinheiros do empréstimo titulado por “bonds” e não às carruagens puxadas pelas bestas muares. Houve uma empresa daquela época que operava no sector dos transportes colectivos sobre carris de ferro, a qual associou os “bonds” a um abatimento no preço da passagem emitindo um tipo de bilhete chamado “debentured bonds”. A forma metonímica “bonds” sempre esteve associada aos carris de ferro assentados adequadamente no solo da via pública e não aos veículos que circulavam sobre os carris de ferro. Somente no início do Século 20 com o advento do “carro eléctrico” é que a forma metonímica “bonde” passou a ser também aplicada ao equipamento circulante, dado que este necessitava de toda uma infraestrutura indispensável para funcionar, em particular, o abastecimento de energia eléctrica aos motores do carro eléctrico, o que era feito a partir de uma central eléctrica (light and power). Antes de o “carro eléctrico” existir os carris de ferro é que eram o equipamento mais importante na circulação das carruagens e não a própria carruagem, pois estas já existiam muito antes de se fazer a sua circulação por caminhos onde estavam instalados carris de ferro. Tendo em conta todos os factos aqui expostos o nome mais apropriado e correcto para este tipo de veículo não é “bonde” eléctrico, mas sim “carro eléctrico”. Nos últimos anos, há uma certa relutância em se utilizar o nome composto “carro eléctrico” ligado aos carris de ferro, sobretudo por causa do mau uso que certos “media” de comunicação social fazem ao utilizá-lo erroneamente em lugar de “veículo automóvel eléctrico”. --Teuto-brasileiro (Discussão) 11h33min de 5 de outubro de 2020 (UTC)[Responder]